sábado, 16 de janeiro de 2010

A história de um castelo esquecido em Aracaju



Esse trabalho foi elaborado para mostrar quanto o antigo presídio de Aracaju é importante para nossa cidade e o significado que se esconde nesse prédio que possui a frente de um castelo, um verdadeiro patrimônio e registro histórico feito por imigrantes italianos, para a cidade de Aracaju, situado no bairro América.
No final do século XIX, imigrantes italianos saíram da sua terra natal para poder vim para o Brasil por melhores condições de trabalho e nessa transgressão de imigrantes para o Brasil estão alguns italianos que deram iniciativa a construções da mais belas artes arquitetônicas não somente em Aracaju, mais em todo o Brasil.
No inicio do século XX, as artes plásticas em Sergipe tiveram uma influencia muito grande na arte italiana, por intermédio dos italianos Rafaelle Alfano (Artista Plástico, escultor e desenhista), Frederico Gentille (Construtor) e Oresti Gatti ( Pintor e escultor).
Construído no governo de Graccho Cardoso sendo um projeto do jovem e distinto engenheiro Dr. Arthur Araújo, tendo sua pedra fundamental batida no dia 05 de outubro de 1923 e três anos depois inaugurava-se na tarde do dia 12 de outubro de 1926, no final do mandato do Presidente Graccho Cardoso, a Penitenciaria Modelo de Sergipe no alto do Pindaíba, fora do perímetro urbano. A construção seguia a um partido arquitetônico italianizante, com sua locação de um “ T ” invertido, com boa estrutura para a vigilância e concluída dentro dos padrões aceitos para a época. A penitenciaria era modelo para todo o Brasil, com tudo de mais moderno na época,o frontispício, composto de duas torres, com seteiras e componentes de decoração mourisco, com janelas e portas em arco pleno, toda em cimento armado, cercado de altos muros, tudo obedecendo aos critérios dispostos, onde era sinônimo de conforto e o mais malicioso detalhe não foi esquecido.
Reforma da Penitenciária do Estado de Sergipe, acontece no governo do Dr. Eronildes de Carvalho, projeto inspirado nas linhas arquitetônicas do Castelo de S. Giorgio, situado na região napolitaba de Salerno, Itália, onde nasceu Raffaelle Alfano o principal responsável pela reforma da penitenciária onde ele deu o toque da arte renascentista construindo na frente do presídio uma replica do original.
A principal ruptura com o espaço medieval se dá a partir do momento em que os arquitetos do Renascimento passam a designar nos seus edifícios um ritmo de percurso em que as regras de desenho do espaço são facilmente assimiladas pelos usuário e estes, a partir de uma analise objetiva do espaço, ainda em que um certo sentido empírica, tem condições de domina-lo e impor o seu ritmo. O domínio da linguagem clássica, usado para se chegar a estes efeitos de percurso, só se torna possível quando simulado através do projeto pela perspectiva. Como resultado, tem-se um espaço perspéctico, integralmente apreendido pelo observador e cujas relações proporcionais se mostram de forma analítica e objetiva.
Estas novas relações espaciais mostram-se especialmente evidentes quando comparadas com o espaço presente nas catedrais góticas. Nestas, a intenção arquitetônica é a de que o observador, desde o momento em que entra no edifício, seja dominado pelo seu espaço e instantaneamente deseje olhar para cima, procurando um movimento ascendente em busca do Senhor. Em outras palavras, toda a monumentalidade daquele espaço que tem a função, entre outras, de possuir o individuo e determinar seus desejos, o ritmo de seu passo e a forma como ele usufrui do edifício. No espaço renascentista a intenção é justamente a oposta: não mais o edifício domina o individuo, mas este apreende suas relações espaciais e domina o edifício. Em outras palavras, busca-se neste momento aquela que seria chamada de medida do homem.
Se compararmos a linha arquitetônica traçada nos primeiros trinta anos deste século, com a linha arquitetônica de Salerno, encontraremos quase uma réplica, inclusive, pelo fato de existir em nossa geografia uma leve semelhança com o Golfo de Salerno.
Essa importância dá-se em pelo menos três dimensões: histórica, artística e urbanística.
A primeira de todas é sintetizada no seu valor histórico, como um marco da política de segurança da sociedade, excluindo do seio social aqueles que, por uma ou outra razão, transgrediram as regras sociais, consubstanciadas em lei. Ela substituiu velha cadeia pública de Aracaju.
A segunda liga-se ao próprio partido arquitetônico, adotado na época de sua construção e que, realmente se constitui um marco da arquitetura na primeira metade do século XX em nossa capital.
A terceira dimensão liga-se ao poder de atração que a penitenciaria exerceu sobre a expansão da cidade, definindo um novo vetor de ocupação de espaço urbano.
Esta é a fase em que Aracaju começa a se consolidar em relação às demais cidades sergipanas, como o centro econômico, político, administrativo e cultural do estado.
Com isso posso dizer que esse foi um marco da construção civil da cidade, com a sua devida preservação e adequada utilização em projetos sociais ou educacionais.



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Referências:

1.BARRETO, Luiz Antonio ;Personalidades Sergipanas Aracaju: typografia; editorial, 2007.
2.Leis e Decretos 1925-1926.
3.Revista Aracaju Magazine 2000.
4.Documetos do Conselho Estadual da Cultura; Tombamento da casa de detenção de Aracaju(antiga penitenciaria).
5.Revista do Patrimônio - História e Artistico Nacional, nº 24, ano 1996.
6.JASON, H.W; Iniciação da arte; tradução Luiz Camargo, 2ª edição São Paulo: Martins Fontes 1996.

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